Empresário pode ter delatado Consórcio NE em sessão secreta de CPI

O empresário Paulo de Tarso Carlos, proprietário da BioGeoenergy,...

- 12/11/2021 7h56 | atualizado em 12 de November de 2021 as 7h56

O empresário Paulo de Tarso Carlos, proprietário da BioGeoenergy, pode haver delatado o Consório Nordeste em depoimento durante sessão secreta da CPI da Covid na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

O próprio investigado solicitou uma sessão secreta. O presidente da CPI, Kelps Lima (Solidariedade), ouviu o investigado antes da sessão, discutiu sobre quais poderiam ser as informações repassadas e concordou com o pedido. “Vamos analisar o conteúdo e saber o que poderemos publicizar, mas somente após a análise”, disse Kelps.

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A Bioenergy é investigada por relação com a Hempcare e possível acordo para fabricação de respiradores de baixo custo. Os equipamentos não chegaram a ser fabricados e entregues ao Consórcio Nordeste, assim como os respiradores que deveriam vir da China através da Hempcare também nunca chegaram. Ao todo, R$ 48,7 milhões dos estados do Nordeste foram recebidos e não devolvidos.

Quebra de sigilo

Há quase um mês, a CPI aprovou a quebra dos sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal do secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Eduardo Gabas.

Ele deveria depor como investigado, mas permaneceu em silêncio durante todo o tempo em que esteve na sessão do dia 6 de outubro. Gabas conseguiu na Justiça do RN um habeas corpus que o deu o direito de não responder nenhum questionamento, incluindo “o privilégio contra a autoincriminação”, segundo a decisão.

Os deputados buscam explicações do Consórcio Nordeste sobre a compra frustrada de respiradores durante a pandemia. A aquisição, que não se concretizou, custou cerca de R$ 4,9 milhões ao RN por 30 respiradores e de R$ 48 milhões ao Consórcio Nordeste por 300.

O Maranhão também pagou de forma antecipada R$ 4,9 milhões por outros 30 respiradores nunca entregues (leia aqui).

Gabas deveria depor, também, na CPI da Pandemia, no Senado, mas um requerimento do senador Eduardo Girão (Podemos-CE) acabou rejeitado (saiba mais).

Por conta da transação via Consórcio, o secretário-executivo já é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) que apura se a prefeitura de Araraquara (SP), governada pelo petista Edinho Silva, seria beneficiada por 30 respiradores exigidos como “propina” pelo fechamento do negócio (reveja).

Gabas, que foi ministro da ex-presidente Dilma Rousseff (relembre), teria participação na negociata.

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